quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Ensaio sobre a cegueira


Ontem na minha casa ficamos sem luz! Por sorte, a bateria do note estava carregada e eu decidi assistir um filme que eu tinha acabado de baixar: “Blindness”, de Fernando Meirelles, baseado no livro "Ensaio sobre a cegueira" do escritor português José Saramago. Minhas expectativas eram enormes, pois o livro é fantástico! Enquanto assistia o filme eu pensava que faltavam ali tantos detalhes! Quando terminei eu disse: não gostei! Mas depois refletindo sobre isso e lendo outras críticas na internet eu percebi que eu tinha assistido um filme de Fernando Meirelles e não lido um livro do Saramago! Pensando bem, as coisas principais do livro estavam ali no filme... o incômodo com a natureza das pessoas, com a fragilidade da organização social , a degradação social, a experiência dolorosa da perda de parâmetros, a violência (tão próxima)... mas que também fala de ética, de amor, de solidariedade e claro, de esperança.Tudo o que li no livro está no filme. Diluído, polido, equilibrado, é verdade; tudo devidamente adaptado para o que Meirelles entende que seja seu público. O filme só se afasta do original num ponto: não há pessimismo.

Li que nos EUA os cegos protestaram contra o filme, pois acharam que a imagem do cego foi denegrida. Não concordo!Para quem não conhece a obra de Saramago, e também o filme de Meirelles pretende gerar uma reflexão sobre os padrões de comportamento e a moral do ser humano, e como esses se modificariam se passassem por uma situação limite, que no caso é a cegueira. Isso nada tem a ver com “mostrar os cegos como monstros”. Pediria a eles que abrissem suas mentes, a discussão é muito mais ampla!
Enfim, só mudaria uma coisa no final do filme! Incluiria um diálogo entre o médico e sua esposa, que para mim é sensacional. Colocarei na íntegra, citando Saramago, com aquela pontuação estranha... não se assustem...rsrs

“Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.”

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